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Mostrando postagens de 2016

Z

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Dizem que avó, por via de regra, é mãe duas vezes. As pessoas dizem muita bobagem. Zenaide era mãe três vezes. Sozinha na criação de três filhos, fez de sua história um caso de sucesso em um enredo repetido com outras várias mulheres fortes. Dizem também que avó é mãe com açúcar. Parece simplório. Zenaide era mãe com uma latinha de cerveja. No carnaval, foi mãe com um frasco de lança-perfume. Numa era pré-proibição, posou orgulhosa para o retratista com sua droga de escolha. Eventualmente Zenaide era também mãe com um cigarro na mão, tragado com leveza. A leveza que nunca lhe tirou o dom da intensidade. Carnavais, festas, batons vermelhões, bailes às escondidas. Reuniões na escola, batizados de boneca, fritadas infinitas de pastel de queijo, presunto, tomate e “oréga”. Zenaide ia e vinha. Sozinha, acompanhada, como queria. Nunca houve homem ou mulher que nela mandasse. Esperou pacientemente pelo desafio durante 87 anos. Não conseguiram. Como um último ato de rebeldia, jo...

Remembering Sunday (pt. 3)

All Time Low - Remembering Sunday Iniciar. Microsoft Office. Word. Tudo que sempre quis te dizer Hoje faz seis anos. Não hoje exatamente – parei de contar depois do segundo aniversário já que me pareceu contraprodutivo -, mas a grosso modo. Seis anos que tudo mudou. Eu, você, o mundo. O céu se abriu e se fechou com a velocidade de um foguete ultrassônico. Você dormiu nos meus braços naquele dia, daquela vez. Um tsunami. Doía estarmos juntos. De alguma forma, truncada, você tentou. Pelos dias que se seguiram  - mas por tempo longe do suficiente -  fomos felizes. Eternos, suficientes. Juntos. Passou. A vida se encarregou de lavar e levar tudo embora. O castelo na areia, a porra toda. A onda veio com força. Em vez de me levantar – como fazem as melhores ondas -, me enterrou. Não fomos. Ficamos. Apesar de tudo, permanecemos. É estranho olhar nossas vidas agora. Tudo o que poderia ter sido e toda aquela papagaiada.  As imagens permanecem longes, difusas. Tudo p...

balanço

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(Foto: Reprodução/Instagram) vai . o ano de 2015 acabou - finalmente. a comunicação alerta: odiamos estar vivos. torcemos para que o tempo passe rápido. matamos o tempo, fugimos da angústia ou da solidão . na esperança da aceitação da produtividade, nos ocupamos até o talo. tempo livre abre brecha pra cabeça voar livre, a solidão é perigosa. volta . terminar o ano tende a trazer um gosto amargo à boca. nessa época, lembramos do que deu errado com as todas as cores que não teve. vai . um ano estranho, cheio de buracos camuflados pra gente cair dentro. as lacunas parecem ter deixado um legado - sempre deixam. dois mil e quinze. parecia não acabar, pareceu longo. pareceu cinco anos num só - não de uma maneira boa. aos corajosos, recomendo a psicanálise - ou a terapia que mais apeteça. volta . é como fazer musculação, quase. às vezes a gente acha que não vai aguentar. os bracinhos fraquejam e a coluna dói com o peso. a cada passo, um compasso. a gente se estica, desdobra e ...