quarta-feira, 24 de agosto de 2011
plástico novo, café e grama
Nós sempre soubemos que isso acabaria, não é? Quero dizer, nós dois. Owatonna sempre foi pequena demais para mim. E de tanto eu falar, te convenci do mesmo. Mas por que, Adam? Por que ir antes de mim? Por que me deixar?
“Eu te odeio tanto nesse momento”, eu chorei. Chorei e enxuguei minhas lágrimas na sua camiseta, enterrando o rosto no seu peito. Eu que não chorava desde a morte do meu pai, quando eu era muito pequena. Era como se um buraco se abrisse dentro de mim. A dor era física, enorme, insuportável. Eu me esticava para segurar tudo junto e não desabar, mas o esforço além de ser totalmente inútil, parecia abrir um corte dentro de mim. Um corte que com certeza se fecharia, porém não sem deixar uma cicatriz no lugar.
Eu lembro que você me levou para aquele lugar que só a gente conhecia. Começava nos fundos da sua casa, de onde se via o riacho. Um gramado imenso e de um verde muito intenso na primavera. Atravessando uma grande e velha ponte de madeira, e alguns metros à esquerda e lá estávamos nós. Protegido por algumas árvores, o “nosso” canto mantinha-se fresco pelas sombras dos eucaliptos. Perguntei-me como poderia essa clareira continuar sendo nossa se você não estaria mais por perto para dividi-la comigo. Tratei de espantar esses pensamentos da cabeça enquanto me deitava ao seu lado
O silêncio era absoluto. Eu já tinha dito tudo que poderia ser dito numa situação dessas e você também. Compartilhávamos de uma dor e ansiedade silenciosa. . Tentei me segurar enquanto você pegava de leve a minha mão. Oh Adam, eu juro que tentei! Mas quando vi já estava agarrada ao seu braço, os olhos fechados e toda encolhida, feito um bebê. Com o rosto apoiado no seu tórax, eu queria sentir o calor do seu corpo, as batidas do seu coração. Eu precisava sentir-te vivo, presente, uma última vez. Apertava meus olhos com força na esperança de abri-los e descobrir que aquilo não passava de um pesadelo.
-Diga – sua voz firme me despertou e eu te encarei com a vista cheia de manchas brancas.
-O que você quer que eu diga?
-Me peça para ficar. – Você encarava o céu com intensidade, os olhos brilhando.
-Eu não poderia. Eu te amo demais para isso.
Você me virou para me encarar e me beijou. Ficamos ali, de testas coladas, e olhares grudados. Naquele momento existia nada no mundo além de nós dois. O sol foi se pondo. E veio a lua. E veio o inverno. E ficou em mim a memória do teu cheiro.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Fallin' like I never fell before
I think I'm enchanted. It's the only thing that explains the stalking instinct, the constantly checking for e-mails and the deep breaths when the person has to leave. And I just got what I'm attracted to. I don't love beauty nor intelligence. I like someone just like me but different. Someone who can surprise me even after a long time we know each other. I like someone vulnerable. I like to take care of people. I like messed-up and neglect ones. I like underdogs! And I like being praised. I like being described as a sweet guy when everyone knows I'm truly a hard cheese to swallow, a bitter tongue. I like the fact that someone really thinks I'm lovely, it makes me wanna fly!
I may like you, I may be enchanted. But, what's the problem? The problem is that I'm not allowed to fall for someone. Have a crush? Hm, maybe if it is a celeb one. Real people? Never. I'm not allowed to be vulnerable! I'm not used to. I'm not allowed to cry or annoy someone just because I want to be near, to hug the person.
I want you to want me. And I know you don't, you can't. And I'm afraid that no one will ever do that. Not because they don't want to, or that they don't like me. But just because they can't. I want to be someone's man through the fire and I think I'm just not that type of guy. Or anyone's type of guy, for that matters.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Real World
Eu acabo de assistir um vídeo do Adam Young no qual ele faz a análise de uma das músicas do seu novo álbum - All Things Bright and Beautiful, sai dia 14 de Junho -, Real World. A música fala basicamente sobre desejar que a realidade fosse um pouco mais como a realidade na sua cabeça. Desejar poder escapar e aparecer e viver em um mundo só teu e do jeito que você moldou. "É uma canção sobre como você deseja poder escapar para dentro da sua própria realidade e seu próprio mundo, onde você pode controlar tudo o que acontece. Fala sobre se você pudesse realmente viver na sua própria realidade e no seu próprio mundo e voltar para o mundo real quando você quisesse." Coincidentemente ou não, a música do Adam tem uma base forte que já foi estudada milhares de anos atrás.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Remembering Sunday (parte 02)
Eu saí do apartamento de Arthur sem respirar. No elevador, me impedi de pensar sobre o assunto enquanto limpava meu rosto todo borrado de maquiagem. Passei pela portaria sem cumprimentar o porteiro - conhecido de tantas outras vezes que fui na casa do Arthie. Sentei no banco do meu carro e desmontei.
Era tudo muito claro na minha cabeça como sempre foi. Eu amava o Arthur de corpo e alma. Amava, sempre amei e sempre amarei. Amava-o desde que descobrira o sentido da palavra amor. Ele era o homem da minha vida... Ou não. Eu amava Arthur mais do que amo a mim mesma, motivo pelo qual nós não poderíamos ficar juntos.
Ele sempre fora o cara mais lindo de todos. O mais lindo da escola, o mais lindo da faculdade, o mais lindo de qualquer lugar que estivesse. Seus olhos de um verde esmeralda capaz de fazer qualquer garota querer dar a vida para ele. Seus cabelos de um liso rebelde e escuros como carvão caíam com perfeição sobre seu rosto, emoldurando sua face. O sorriso mais repleto e acolhedor possível. Ele era maravilhoso.
O meu melhor amigo podia ter a garota que quisesse. E ele sempre teve, apesar de nunca ter sido do tipo que faz coleção de bocas beijadas. Muito pelo contrário, Arthur sempre foi muito seletivo. Um pouco tímido, mas só o suficiente para torná-lo fofo, ele era o perfeito leonino, de personalidade alegre e radiante. Eu não o merecia.
Eu, por outro lado, tive dúzias de relacionamentos frustrados. Pisciniana , tenho pavor a intimidade. Sempre acabo meus namoros da forma mais trágica possível. Sem nunca mais olhar na cara da pessoa. “Amores” para mim sempre foram descartáveis. A explicação para isso é claramente resumida no fato de que eu nunca amei pessoa alguma no mundo além do dele. E ele me amava. Amava-me e me amara a vida toda. Como eu nunca notei? Se havia algo a ser notado eu não sei, ele sempre foi muito discreto. Talvez ele nem quisesse ser notado de fato. Talvez ele soubesse – como eu sei – que um garoto-homem perfeito como ele não me merece. Eu, a idiota. A feia, a horrível, a que estraga todo e qualquer relacionamento. Seja de amizade ou namoro. A bruxa azarada que sempre é traída, chutada e rejeitada.
Senti uma lágrima mais quente cair e me lembrei que estava dentro de um carro, em frente a um edifício, numa rua movimentada. Domingo de manhã. Olhei para fora do carro uma última vez, contando as janelas para saber qual era a do Arthie. Liguei meu carro e fui embora.
sábado, 10 de julho de 2010
Mr. Confusion
Here comes another
You know you don't want it
That girl is like non-stop confusion
Leonardo continuava sentado no mesmo lugar que tinha sido deixado. Parecia muito uma daquelas cenas de filme em que a pessoa permanece intacta no mesmo lugar por horas, dias, meses.
Ele olhou no relógio do celular, que indicava a sete da noite, ao verificar que já havia escurecido em volta. Uma curta ligação – “Posso passar aí?” ”Eu não sei não, Leo...” “Ótimo, meia hora e eu chego.” – e já estava de pé.
Meia hora de carro e apareceu em frente da casa que tanto relutara ir nos últimos seis meses. Seis meses de confusão: direita ou esquerda, Direito ou Jornalismo, azul ou verde, Corinthians ou Palmeiras, São Paulo ou New York, Rachel ou Amanda.
You think you love her
Could that be illusion?
Could that not be love?
Uma garota extremamente adorável abriu a porta vestindo um suéter vermelho. Antes que pudesse fazer sua saudação de má-vontade foi surpreendida por um beijo.
-Ok, eu não previ isso acontecer. O que deu em você? – Ela disse tentando recuperar o fôlego. Ela sabia o quão errado aquele beijo era mas não apresentou resistência alguma.
-Eu vim por você. Eu te amo, Rachel. Sempre te amei, fica comigo?
-Espera, espera... Eu não quero fazer nada precipitado, para... Não, é sério... PARA, LEO! – Ela finalmente tinha conseguido tirar Leonardo de cima dela. Ele, que nesse momento já se encontrava dentro da casa, de portas fechadas, parecia decidido a ficar com ela e isso parecia totalmente diferente da última conversa que haviam tido sobre o assunto.
-Eu e ela, a Amanda, nós acabamos. Essa tarde mesmo. Eu e você podemos ficar juntos agora.
-VOCÊS O QUE?! – Rachel parecia super assustada agora, pouco ligando para o fato de ter acabado de dar o primeiro beijo no garoto que fora sua paixão secreta pelos últimos seis meses.
-Nós terminamos, vai, me dá uma chance Rachel. Eu te am...
-Ama nada, não seja patético, Leonardo! – Ela dava agora uma distância de um metro dele contrastando com os poucos centímetros de alguns momentos atrás.
-O que você ta dizendo?
-Você não me ama, Leonardo. E obviamente não ama a Amanda também. Se amasse não estaria aqui apenas algumas horas depois de ter terminado com a sua namorada.
-Mas é claro que... O que você ta dizendo? Eu... – Ele prosseguiu após alguns segundos em pausa. – O que eu faço?
Rachel riu. Estava óbvio o motivo pelo qual ela havia se apaixonado por Leonardo. Ele transpirava cuidado. Era o garoto mais fofo que já havia conhecido. Atencioso, agradável, gentil, protetor e confuso. A confusão exagerada fazia parte do pacote e podia ser um pouco irritante às vezes, mas valia a pena totalmente.
-Sabe, Leo, você namora a Amanda há pouco mais de um ano. Eu estava no Brasil quando vocês dois se conheceram, mas não tive tempo para conhecê-lo. Então, fui para os Estados Unidos fazer intercâmbio por um ano voltei. Logo percebi porque minha melhor amiga tinha te escolhido. A Amanda sempre foi muito seletiva para garotos, sabe? E eu sempre dizia para ela que ela nunca encontraria o garoto perfeito que procurava. Bem, ela te encontrou. E eu fiquei muito feliz por ela, por vocês dois. Mas você era tão perfeito. – Ela deslizou a mão pela bochecha do garoto e ele sorriu. Borboletas voaram em seu estômago e ela retirou a mão como de imediato, corando e virando os olhos. – E você era, e você é, tão perfeito que eu não pude resistir. Apaixonei-me por mais que lutasse contra. E você percebeu, me confrontou e eu não pude mentir. Você sabe bem que eu não sei fazer isso, mentir. Você me disse que gostava muito de mim também, bastante. Bom, eu não sei quanto você gosta de mim, ou da Amanda, mas com certeza você não ama nenhuma de nós. E isso é uma pena, um desperdício. – A garota deixou escapar um sorriso amarelo.
-O que eu faço? - O loiro repetiu a pergunta, atordoado.
-Você eu não sei. Mas eu preciso ligar para a minha melhor amiga e consolá-la pela perda de seu maravilhoso namorado.
Ele a encarou em silêncio com um brilho de dúvida terrível no olhar. Rachel riu.
-Vamos, eu te acompanho até a porta.
-Rachel... Eu... Espero que você ache o seu cara perfeito.
-E eu espero que você ache a sua garota errada. Talvez você só consiga amar uma garota que encontre em você imperfeição.
-É uma teoria, hein. – Ambos riam.
-Se cuida, rapazinho.
Leonardo somente deu de ombros e foi em direção ao seu carro. Já sentado no banco do motorista deu uma última olhada para a porta da casa a fim de constatar que já não havia ninguém lá. Ligou o rádio do carro e pegou tocando o que parecia ser o final de uma música desconhecida.
The love you want
Will make you heart feel cold
You think you've got it
But all you've got is a hole
Inside your heart
The truth is there to be told
So try to stop
Stop breaking hearts
Stop hurting souls
and hurt yourself