Indo embora do open bar
Indo embora do open bar e o táxi toca Chico Buarque. E eu? Eu choro.
A moça do caixa, já conhecida, pergunta:
"É um open bar e você tá indo embora a essa hora? Sóbrio?"
"Luto", respondo.
"Quem morreu?"
"O meu relacionamento."
"O de sempre? Ainda?"
Não, é um novo. Nasceu e morreu. E eu, que nunca achei que fosse sentir a perda, sinto. Sinto mais o fracasso, isso sim. Tem coisas que nascem para morrer e isso não as invalida, com certeza. Mas dói um pouquinho. Dói a falta. A falta de uma coisa que você nem achava que precisava, mas veio, abriu espaço, foi embora, e deixou o buraco.
E me pergunto: os buracos, são preenchidos algum dia? Acho que é uma questão de prisma. Necessito parar de pensar em ti como uma lacuna impreenchível mas uma lasca, uma marca.
Escrever é inscrever. Tirar uma lasca da madeira, deixar uma marca, um escrito, um inscrito.
Acho que você inscreveu em mim.
Obrigado.
A moça do caixa, já conhecida, pergunta:
"É um open bar e você tá indo embora a essa hora? Sóbrio?"
"Luto", respondo.
"Quem morreu?"
"O meu relacionamento."
"O de sempre? Ainda?"
Não, é um novo. Nasceu e morreu. E eu, que nunca achei que fosse sentir a perda, sinto. Sinto mais o fracasso, isso sim. Tem coisas que nascem para morrer e isso não as invalida, com certeza. Mas dói um pouquinho. Dói a falta. A falta de uma coisa que você nem achava que precisava, mas veio, abriu espaço, foi embora, e deixou o buraco.
E me pergunto: os buracos, são preenchidos algum dia? Acho que é uma questão de prisma. Necessito parar de pensar em ti como uma lacuna impreenchível mas uma lasca, uma marca.
Escrever é inscrever. Tirar uma lasca da madeira, deixar uma marca, um escrito, um inscrito.
Acho que você inscreveu em mim.
Obrigado.
Comentários