500 Dias com Bolsa
Ela contém uma limitada infinidade de recursos. Apresenta-se das mais variadas formas, tamanhos e cores. Pode ser estampada com motivos florais, lisa ou listrada. Feita de couro (legítimo ou faux), lona, tecido, plástico e até mesmo palha. A minha bolsa vai aonde eu vou. Mais do que é isso, minha bolsa é o que eu sou.
Na segunda-feira, para aquela entrevista de emprego, precisamos aparentar profissionalismo. Na sala de espera da empresa eu olho para a minha pasta de couro, em dúvida se estou preparada, e ela me diz “seja confiante, vai dar tudo certo”. E eu acredito, porque ela inspira confiança.
O meio da semana chega e eu preciso me encontrar com aquele ex-namorado para um almoço - que claramente é uma competição de quem já superou mais o outro. Apesar de passar todos os meus finais de semana de pijama comendo sorvete ao som de All By Myself, preciso causar a impressão oposta. Arrumo-me toda, me esforço para fazer a melhor maquiagem “beleza natural”, escolho cuidadosamente a bolsa-carteiro mais colorida e saio. Ao cumprimentá-lo sinto o cheiro dos bons momentos que passamos juntos e agarro a alça de metal com toda a força para não começar a chorar ali mesmo. Funciona. Saio do restaurante com a maquiagem intacta e a dignidade também.
O final de semana chega e eu decido que é hora de parar de dar lucro para a Häagen-Dazs. Ligo para as minhas amigas, me visto com o meu mais curto e mais brilhante vestido, escolho cuidadosamente uma bolsa clutch que grite “disponível” - e que caiba pelo menos meu celular – e vou.
No dia seguinte, acordo preocupadíssima por não lembrar-me como ou quando cheguei em casa. Logo encontro minha bolsa e isso me acalma. Enquanto eu tiver minha bolsa, eu estarei bem.
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