plástico novo, café e grama
Eu fechei os olhos e respirei. Tentei absorver o máximo do teu cheiro. Uma mistura de plástico novo, café e grama que sempre me fascinou. Eu sabia que seria a nossa última vez juntos - ambos estávamos cansados de nos despedir de novo e de novo. Portanto, eu havia decidido que não o acompanharia até o aeroporto. Era certo que você não ia ficar overseas para sempre, mas aquele era, definitivamente, o nosso fim. Além das mudanças que certamente aconteceriam em nossas vidas nesses eternos dez meses, eu planejava me mudar geograficamente. Quero dizer, eram grandes as chances de que quando você voltasse para a nossa cidadezinha eu já não mais lá residisse.
Nós sempre soubemos que isso acabaria, não é? Quero dizer, nós dois. Owatonna sempre foi pequena demais para mim. E de tanto eu falar, te convenci do mesmo. Mas por que, Adam? Por que ir antes de mim? Por que me deixar?
“Eu te odeio tanto nesse momento”, eu chorei. Chorei e enxuguei minhas lágrimas na sua camiseta, enterrando o rosto no seu peito. Eu que não chorava desde a morte do meu pai, quando eu era muito pequeno. Era como se um buraco se abrisse dentro de mim. A dor era física, enorme, insuportável. Eu me esticava para segurar tudo junto e não desabar, mas o esforço além de ser totalmente inútil, parecia abrir um corte dentro de mim. Um corte que com certeza se fecharia, porém não sem deixar uma cicatriz no lugar.
Eu lembro que você me levou para aquele lugar que só a gente conhecia. Começava nos fundos da sua casa, de onde se via o riacho. Um gramado imenso e de um verde muito intenso na primavera. Atravessando uma grande e velha ponte de madeira, e alguns metros à esquerda e lá estávamos nós. Protegido por algumas árvores, o “nosso” canto mantinha-se fresco pela sombra dos carvalhos. Perguntei-me como poderia essa clareira continuar sendo nossa se você não estivesse mais por perto para dividi-la comigo. Tratei de espantar esses pensamentos da cabeça enquanto me deitava ao seu lado
O silêncio era absoluto. Eu já tinha dito tudo que poderia ser dito numa situação dessas e você também. Compartilhávamos de uma dor e ansiedade silenciosa. . Tentei me segurar enquanto você pegava de leve a minha mão. Oh Adam, eu juro que tentei! Mas quando vi já estava agarrado ao seu braço, os olhos fechados e todo encolhido, feito um bebê. Com o rosto apoiado no seu tórax, eu queria sentir o calor do seu corpo, as batidas do seu coração. Eu precisava te sentir vivo, presente, uma última vez. Apertava meus olhos com força na esperança de abri-los e descobrir que aquilo não passava de um pesadelo.
-Diga – sua voz firme me despertou e eu te encarei com a vista cheia de manchas brancas.
-O que você quer que eu diga?
-Me peça para ficar. – Você encarava o céu com intensidade, os olhos brilhando.
-Eu não poderia. Eu te amo demais para isso.
Você me virou para me encarar e me beijou. Ficamos ali, de testas coladas, e olhares grudados. Naquele momento não existia nada no mundo além de nós dois. O sol foi se pondo. E veio a lua. E veio o inverno. E ficou em mim a memória do teu cheiro.
Nós sempre soubemos que isso acabaria, não é? Quero dizer, nós dois. Owatonna sempre foi pequena demais para mim. E de tanto eu falar, te convenci do mesmo. Mas por que, Adam? Por que ir antes de mim? Por que me deixar?
“Eu te odeio tanto nesse momento”, eu chorei. Chorei e enxuguei minhas lágrimas na sua camiseta, enterrando o rosto no seu peito. Eu que não chorava desde a morte do meu pai, quando eu era muito pequeno. Era como se um buraco se abrisse dentro de mim. A dor era física, enorme, insuportável. Eu me esticava para segurar tudo junto e não desabar, mas o esforço além de ser totalmente inútil, parecia abrir um corte dentro de mim. Um corte que com certeza se fecharia, porém não sem deixar uma cicatriz no lugar.
Eu lembro que você me levou para aquele lugar que só a gente conhecia. Começava nos fundos da sua casa, de onde se via o riacho. Um gramado imenso e de um verde muito intenso na primavera. Atravessando uma grande e velha ponte de madeira, e alguns metros à esquerda e lá estávamos nós. Protegido por algumas árvores, o “nosso” canto mantinha-se fresco pela sombra dos carvalhos. Perguntei-me como poderia essa clareira continuar sendo nossa se você não estivesse mais por perto para dividi-la comigo. Tratei de espantar esses pensamentos da cabeça enquanto me deitava ao seu lado
O silêncio era absoluto. Eu já tinha dito tudo que poderia ser dito numa situação dessas e você também. Compartilhávamos de uma dor e ansiedade silenciosa. . Tentei me segurar enquanto você pegava de leve a minha mão. Oh Adam, eu juro que tentei! Mas quando vi já estava agarrado ao seu braço, os olhos fechados e todo encolhido, feito um bebê. Com o rosto apoiado no seu tórax, eu queria sentir o calor do seu corpo, as batidas do seu coração. Eu precisava te sentir vivo, presente, uma última vez. Apertava meus olhos com força na esperança de abri-los e descobrir que aquilo não passava de um pesadelo.
-Diga – sua voz firme me despertou e eu te encarei com a vista cheia de manchas brancas.
-O que você quer que eu diga?
-Me peça para ficar. – Você encarava o céu com intensidade, os olhos brilhando.
-Eu não poderia. Eu te amo demais para isso.
Você me virou para me encarar e me beijou. Ficamos ali, de testas coladas, e olhares grudados. Naquele momento não existia nada no mundo além de nós dois. O sol foi se pondo. E veio a lua. E veio o inverno. E ficou em mim a memória do teu cheiro.
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