Real World


Eu acabo de assistir um vídeo do Adam Young no qual ele faz a análise de uma das músicas do seu novo álbum - All Things Bright and Beautiful, sai dia 14 de Junho -, Real World. A música fala basicamente sobre desejar que a realidade fosse um pouco mais como a realidade na sua cabeça. Desejar poder escapar e aparecer e viver em um mundo só teu e do jeito que você moldou. "É uma canção sobre como você deseja poder escapar para dentro da sua própria realidade e seu próprio mundo, onde você pode controlar tudo o que acontece. Fala sobre se você pudesse realmente viver na sua própria realidade e no seu próprio mundo e voltar para o mundo real quando você quisesse." Coincidentemente ou não, a música do Adam tem uma base forte que já foi estudada milhares de anos atrás.
Uma das teorias de Platão, filósofo grego do século IV a.C., fala de algo bem similar. A Teoria das Idéias, como é conhecida, implica e questiona o desempenho das pessoas no papel de serem elas mesmas. Esse autoconhecimento levou o filósofo a pensar sobre os motivos que tornam de alguém sempre a mesma pessoa, ou se a mudança que ocorre inevitavelmente com o ser humano faz com que ele seja várias versões da mesma pessoa. Como Platão já tinha conhecimento, o homem é um bicho social e, portanto, está em constante relação com outros seres – da mesma espécie ou não –, e as reações desencadeadas dentro de cada ser a partir desses eventos levaram o filósofo a conceber que haveria então a existência de duas realidades: a inteligível e a sensível. A primeira diz respeito às coisas como elas são em sua essência imutável, como as vemos. A segunda realidade está relacionada ao mundo de idéias e imagens – é como se fosse a impressão e percepção pessoal que cada ser tem do mundo ao seu redor. É como se cada ponto de vista ditasse a forma como a pessoa vive sua vida. Essa percepção é algo que me chama muito atenção, pois explica muito bem o fato de algumas pessoas seguirem um determinado caminho em suas vidas. Para mim, está aí a origem das divergências. Cada um tem um sistema próprio de processamento das informações, elas são digeridas nos moldes que manda a consciência de cada pessoa. Cada um pensa, reage e acredita em coisas diferentes, porque quem eles são na verdade está ligado a quem eles foram transformados pelo caminho de sua existência, encaixados na sua essência. A verdade é que cada um monta sua própria realidade, ou a tem montada conforme o passar de sua vida.
O desejo do Adam se justifica no fato de ele ser um tipo de pessoa que criou sua própria realidade, mas sente dificuldade de viver nela, pois o mundo "real" a todo momento nos chama para viver na realidade inteligível. Eu me identifico com ele, muitas vezes, pois ele traz consigo essa coisa, essa pureza, esse escape do mundo real. O mundo, a realidade é um lugar amável, mas se você pudesse escolher, realmente ia querer viver aqui? Viver no mundo real em vez de viver num mundo próprio em que você dominasse quem vive, quem morre, o que as pessoas fazem ou deixam de fazer. Hipócrita é quem diz que nunca desejou ter poderes e controlar a ordem e o acontecimento de tudo ao seu redor.
Eu estou com o Adam, eu sou fã e adoro o jeito de ele vê a vida! Acho amável, de verdade, mas... Eu não ia querer viver na realidade dele. Prefiro muito mais criar o meu mundo!
E é isso que eu, e todo mundo faz. Todos os dias. Criamos nosso mundo e vivemos nele. Afinal de contas, o que é o mundo real?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pão de queijo.

Mr. Confusion

...e agora Renan?