Remembering Sunday (pt. 2)

All Time Low - Remembering Sunday.mp3


Eu saí do apartamento de Arthur sem respirar. No elevador, me impedi de pensar sobre o assunto enquanto limpava meu rosto todo borrado de maquiagem. Passei pela portaria sem cumprimentar o porteiro - conhecido de tantas outras vezes que fui na casa do Arthie. Sentei no banco do meu carro e desmontei.
Era tudo muito claro na minha cabeça como sempre foi. Eu amava o Arthur de corpo e alma. Amava, sempre amei e sempre amarei. Amava-o desde que descobrira o sentido da palavra amor. Ele era o homem da minha vida... Ou não. Eu amava Arthur mais do que amo a mim mesma, motivo pelo qual nós não poderíamos ficar juntos.
Ele sempre fora o cara mais lindo de todos. O mais lindo da escola, o mais lindo da faculdade, o mais lindo de qualquer lugar que estivesse. Seus olhos de um verde esmeralda capaz de fazer qualquer garota querer dar a vida para ele. Seus cabelos de um liso rebelde e escuros como carvão caíam com perfeição sobre seu rosto, emoldurando sua face. O sorriso mais repleto e acolhedor possível. Ele era maravilhoso.
O meu melhor amigo podia ter a garota que quisesse. E ele sempre teve, apesar de nunca ter sido do tipo que faz coleção de bocas beijadas. Muito pelo contrário, Arthur sempre foi muito seletivo. Um pouco tímido, mas só o suficiente para torná-lo fofo, ele era o perfeito leonino, de personalidade alegre e radiante. Eu não o merecia.
Eu, por outro lado, tive dúzias de relacionamentos frustrados. Pisciniana , tenho pavor a intimidade. Sempre acabo meus namoros da forma mais trágica possível. Sem nunca mais olhar na cara da pessoa. “Amores” para mim sempre foram descartáveis. A explicação para isso é claramente resumida no fato de que eu nunca amei pessoa alguma no mundo além do dele. E ele me amava. Amava-me e me amara a vida toda. Como eu nunca notei? Se havia algo a ser notado eu não sei, ele sempre foi muito discreto. Talvez ele nem quisesse ser notado de fato. Talvez ele soubesse – como eu sei – que um garoto-homem perfeito como ele não me merece. Eu, a idiota. A feia, a horrível, a que estraga todo e qualquer relacionamento. Seja de amizade ou namoro. A bruxa azarada que sempre é traída, chutada e rejeitada.
Senti uma lágrima mais quente cair e me lembrei que estava dentro de um carro, em frente a um edifício, numa rua movimentada. Domingo de manhã. Olhei para fora do carro uma última vez, contando as janelas para saber qual era a do Arthie. Liguei meu carro e fui embora.

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