Vanilla Twilight

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Eu olhei para o lado e suspirei. Era difícil pensar com tantas coisas na minha cabeça. Era realmente difícil viver ali, longe de todos e tão longe da minha realidade. É como se eu tivesse caído em sono profundo e num sonho bizarro desde o momento em que entrei naquele avião.
Ok, era indiscutível que eu me sentia bem melhor longe de todos, longe dela... Longe de ninguém. Não que houvesse muito para fugir, mas eu fugi. Fugi e corri, olhos cegados pelas lágrimas. Fugi para bem longe, oversea. Dei um beijo longe de sua boca e disse "volto para você, ok?" porque eu sou um tolo. Volto para ser pisado, escrachado, e usado. Volto para te ouvir chorar no meio da noite e para te ouvir dizer que vai me dar um tempo quando na verdade só que fugir da responsabilidade de me ouvir. Fico imaginando o que tanto te assusta que possa sair da minha boca. Engraçado porque já viajei para o mais profundo do teu ser, já mapeei tua alma. Decorei tua boca e teu gosto mesmo contra tua vontade. Engraçado simplesmente que tenhas medo de mim. Medo do meu ser, do que habita em mim e, que, mesmo assim, me ame. Eu estranho que me ame do tanto que clama amar. Está certo que duvido de que qualquer ser possa me amar, gostam de mim, me acham divertido, só. Mas, ao final, voltam para casa abraçados com seus afetos enquanto eu volto abraçado em minha jaqueta.
Mas enfim, estou aqui. Sentado nesse píer que mal sei como vim parar! Muito clichê? É a minha vontade! Foi minha vontade me afastar da minha doença - que é você - há sete meses e é minha vontade ficar aqui, esperando, esperando. Nas duas mão trago de prazeres que não faço questão de provar. Do lado direito uma garrafa de vodca, do lado esquerdo uma carta tua que acaba de chegar na minha casa.
Um intercâmbio não é local para ter tais pensamentos, mas, Deus, não sou muito novo para já conseguir enxergar as coisas com tanta clareza?! Eu te amo, você me ama. Eu te larguei, você chorou, eu não chorei. Meu primeiro final de semana nos Estados Unidos foi repleto de mensagens suas pela internet. Nem liguei, eu começava uma vida nova! A dor deveria valer a pena quando nos esquecêssemos. Passsaram-se os dias e você começou a... Bem, voltar a ligar para mim com a mesma frequência de quando morávamos na mesma cidade. Ou seja: só lembrar de mim quando todo o resto dá errado. Está certo.
Mas o fato é que nós dois, juntos, nunca existimos. Só na minha cabeça. Eu posso ter sido seu mundo por alguns meses, um ano no máximo. Até você se reerguer, sabe? Mas depois você arranjou alguém melhor para desejar um abraço. Braços mais confortáveis e menos frágeis. Talvez, esse alguém que não consiga te proteger tanto quanto eu pude e posso. Porque eu te amo. Mas foi assim.
Abri os olhos e lá estava: o sol de punha no horizonte exatamente como dizia na música que tocava nos meus ouvidos. Toda tarde que podia, desde que descobrira esse pôr do sol, eu vinha até os fundos da minha casa e assistia a incrível mudança de cores, sempre ouvindo a mesma música.
Faltavam ainda alguns meses até retornar para minha cidade, mas eu queria deixar ali, afogado naquele lago, daquela pequena cidade norte-americana, todo o peso que carrego no coração. Alguns meses e ainda posso dar um jeito nisso.

Comentários

Anônimo disse…
Muito lindo esse teu texto. Eu amo todos, mas tudo bem. AEOIHAHIOEHIOI Odeio essas pessoas que só lembram da gente quando acontece alguma coisa ruim. :~

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