Remembering Sunday (pt. 1)

All Time Low - Remembering Sunday

Acordei, olhei para o lado e sorri: ela ainda estava lá. Não tinha sido um sonho. Ela tinha sido minha. Ela era minha agora e para todo sempre. Passei a mão pelos seus cabelos e ela sorriu. Não era um sorriso de amor, era um sorriso de timidez. Eu não sabia o que isso significava, mas correspondi.
“Vou preparar algo para você comer!” disse pulando da cama. Peguei uma calça qualquer do chão antes que ela pudesse dizer algo em protesto à idéia - o que eu tinha certeza que ela faria.
Resolvi que prepararia uma omelete. Cozinhei o suficiente para dois, mesmo que eu não estivesse nem um pouco disposto a comer. Comida era a última coisa que me vinha à cabeça depois daquela noite. Tinha tido a garota que desejei a vida toda. A garota que desejei desde que ela era, de fato, uma garota. Antes mesmo de a natureza esculpir seu corpo, e a vida sua alma. Amei-a desde que soube o significado da palavra amor. Amei por toda a vida.
Ouvi um barulho e me virei. Meu anjo se encontrava parado aos pés da escada. Completamente vestida e... Linda. Fazendo-me ter vergonha de estar sem camisa.
-Oi – sorri, abestalhado.
Ela forçou os lábios para cima, sem mostrar os dentes. Essa vergonha ia passar uma hora, era só questão de tempo. Nós não tínhamos feito nada errado, afinal.
-Sente-se, sente-se! Preparei omelete pra vo... Para nós.
Ela sentou-se a beira da minha pequena e redonda mesa, deixando sua bolsa descansar em seu colo – a qual eu não havia percebido estar com ela até agora.
Insisti para que comesse sempre mais, mas em um ponto ela já parecia totalmente satisfeita.
-Calor, não? – Eu insisti para ouvir sua voz, apesar de estar realmente quente naquela manhã de domingo. Sentia uma gota de suor escorrendo por entre minhas costelas. Levantei apressado e abri a porta da sacada. Uma estrutura metálica branca, emoldurando uma placa de vidro transparente como água. O único luxo do meu apartamento.
Voltei à minha cadeira e ela encarava seu prato, inexpressiva. Por que ela não estava feliz como eu? Ela disse que me amava, eu ouvi. Disse também, na noite passada, que tinha esperado a vida toda por uma declaração de amor minha. Disse que só tinha tido relacionamentos frustrados por me amar, e mais ninguém. Eu era feito para ela, e ela para mim. Fomos melhores amigos a vida toda e amantes secretos. A vida tinha nos reservado um para o outro durante todos esses anos, eu tinha certeza. Não poderia ter sido aos 16 ou aos 20 anos. Agora era a nossa hora. A nossa hora de ficarmos juntos.
-Nós não podemos ficar juntos.
-Oi?
-É isso mesmo que você ouviu, Arthur. O que aconteceu foi bom, mas foi... diversão.
-Espera, eu realmente ouvi certo? Você está... me dispensando? Isso não é possível não pode ser.
-É isso mesmo que você ouviu... me desculpe.
-Sofia, se isso é uma piada, venho te avisar de antemão que não é do tipo que eu acho graça.
-Não é uma piada.
Eu sufoquei.
-O que... O que você quer dizer? Como assim? Você me ama! Você disse!
-Por favor, eu estava bêbada.
-Você não bebe!
-Eu estava drogada.
-CALA ESSA BOCA! – A loira arregalou os olhos com o meu berro. E que olhos... Azul piscina daqueles que te dá vontade de mergulhar e ali permanecer para sempre. Quem precisa de ar quando se tem aqueles olhos à disposição?
Mas eu tinha raiva! O que ela pensava estar fazendo? Por que ela dizia essas coisas para mim? Eu não entendia nada.
-Eu... – ela abaixou a cabeça e alguns fios de cabelo caíram, tampando-me a visão de seu rosto de boneca. - Eu tenho que ir.
Ela levantou-se de súbito, partindo em disparada em direção da porta.
-Espera aí! – Dei alguns passos longos em sua direção, agarrando com força braço direito.
-Ai! Você está me machucando! -Ela disse, sem levantar o rosto.
-Que se dane! Você também está me machucando! O que está havendo?! Por que você mentiu para mim, por quê?! Eu te conheço há anos, Sofia. Sei que você não é assim. Você não seria tão leviana. OLHA PARA MIM E RESPONDE, DROGA!
-Me... Solta. – sussurrou entredentes. Pude ver seu rosto molhado de lágrimas e me assustei, pensando tê-la machucado. Eu já estava a ponto de cair de joelhos pedindo perdão quando ela falou de novo.
-Eu não te quero – um suspiro. Ela parecia tentar forças em algum lugar. Mas onde, meu Deus? E por quê? – Nunca te quis. E nunca vou te querer. Tenho uma novidade pra você, senhor Arthur: não são todas as mulheres que te amam, ok? Você não é meu tipo, eu não te amo, me deixa ir embora!
- A porta está aberta.
Eu estava sem forças e, com certeza, pálido. Sofia me deixou no meio do meu apartamento, sozinho, numa manhã quente de domingo. Não vi exatamente ela me dando as costas e saindo, mas logo após ouvir o barulho da porta se fechando eu caí de joelhos no chão. Foram alguns segundos de cabeça baixa, encarando a palma das minhas mãos, até que eu sentisse a primeira lágrima partindo em direção ao chão. Fiquei no mesmo lugar por um tempo que eu nunca soube dimensionar.

Comentários

Anônimo disse…
Me apaixonei por esse texto, ok.

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