A festa.

Entramos todos falando na padaria. Sabe quando um grupo de pessoas chama a atenção pela euforia, as risadas...?
-Moooooooça – eu disse para a atendente, virado de costas para e ela.
-Renan.
-Não, espera, eu tenho que pedir o aaaaaaaaaaaaaaaaah... – bocejei.
-Renan.
-Espera aí, Thaís!
-Renan, você está virado de costas!
-Hã? – Eu abri o olho, vendo que na verdade estava de frente para ela e de costas para o balcão. – É o sono, me desculpem...
Dei outro bocejo e me virei para o lado certo. Uma garota com os cabelos castanhos lisíssimos ria-se de mim do outro lado.
-Oi...Brunna. – Li seu nome no crachá. - Você vem sempre aqui, gatinha? – Disse molenga arqueando as sobrancelhas.
-Ah, sai da frente! - Thaís disse me empurrando. – Moça, a gente vai querer... Vai querer... Hm... Manoela? Uma ajuda aqui?
-Ai Jesus, vocês são muito enrolados! – Manu riu balançando negativamente a cabeça
-Vem aqui, Renan. – Thaís me arrastou para uma cadeira e me fez deitar em seu colo. Eu estava realmente abatido pelo sono.
-A Natasha só dá trabalho, meu – eu falei, mole. – Estou super cansado, tive uma semana chata aí no sábado ter que acordar cedo para vir na padaria e fazer uma festa surpresa para ela e... – Sabe quando o sono é tão grande que você não percebe nem quando começa ou para de falar?
-Olha, pelo menos você não passou a semana estudando e fazendo inscrições para o vestibular, amigo. – Yuri falou pela primeira vez em algum tempo.
-FATÃO! – Eu finalmente despertei com a gargalhada da Thaís.
-Espera, a Manu tá demorando muito...Cadê ela?
-NOSSA, BRUNNA, EU LEEEEEEEEMBRO, MEU! – Era impossível não reconhecer aquela risada escalafobética.
-Eu busco ela. – pouco depois ele voltava com um bolo nos braços e uma menina bem menor que carregava o que deveriam ser os salgadinhos. Eu ri do contraste da altura entre os dois.
-Mano, eu estudei com aquela guria no colégio! – Ela disse como se já tivessem passado 50 desde que terminou a escola, e não só cinco.
-Ok, agora nós precisamos entrar na casa da Nathie e levar as coisas, e tudo isso sem ela ouvir. – Yuri disse e nós fomos.

-Fica quieto, Yuri! – Thaís sussurrou o mais escandaloso que pôde.
-Gente, calem todos a boca. Eu vou contar até três e a gente abre a porta, ok? Um... Dois... Três!... Gente?
-Oi? – Respondi pelos outros.
-Vocês já podem abrir a porta, sabe...
-Ah... – Thaís disse por fim, parecendo distante.
-Ah, porra. Vai!
Yuri chutou a porta e nós estramos.
-FELIZ ANIVERSÁÁÁÁÁRIOOOOOO! – Entoamos juntos, em coro.
-AH MEU DEUS DO CÉU SOCORROOOOOOOOOOO! - Vimos uma menina dar um pulo na cama enquanto berrava. A gargalhada foi tão intensa que Yuri quase derrubou o bolo.
-Seus idiotas! – Natasha espumava de raiva.
- Mas Nathie! A gente te faz uma surpresa linda e você ainda reclama? – Eu era o único que tinha fôlego para duas frases inteiras.
-Não é isso! Eu estou feliz, obrigada... Eu acho. Pelo menos eu vou ficar feliz quando meu coração voltar a bater. Mas quem foi o idiota que chutou a porta?!
Yuri deu uma risada mais alta ainda que parecia sufocar. Essa foi toda a resposta que ela precisou. Pegou uma roupa para pôr no lugar do pijama e entrou no banheiro.
- Eu já volto – fechando a porta, revirando os olhos e com a certeza de que a risada continuaria quando ela voltasse.

Comentários

Anônimo disse…
Eu gostei desse texto, eu tô igualzinha OAIEHHIOAEAEIOHEOAI ♥

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