'just take a breath.
Air isn't overrated (8)
Respira, respira...Tudo bem, eu já estou melhor. Espera, telefone tocando...Maldito cobrador. Eu não vou te pagar. Vamos então ao meu relato:
Eu corria. Andava, na verdade. Estava difícil de respirar, parecia que um elefante estava sentado sob meu peito. Mas mesmo com o ar escasso nos meus pulmões os meus pés não deixavam de se movimentar vorazmente àquele pavimento debilitado.
Eu tinha que ser mais normal ás vezes...
***
Meus passos eram tão rápidos que eu parecia estar fugindo. De algo. De alguém. Não, não de você. Meu estômago pesava como se eu tivesse comido cimento. Diminuí o passo, mas mesmo assim não parei. Tinha impressão que ia pôr todo meu almoço para fora. Alarme falso, era só meu coração tentando fugir de mim. Azar dele. Ele é biologicamente dependente de mim. Mas também, só assim para alguém não me escapar por entre os dedos
***
Eu ainda corria, e uma dor se espalhava por todo o meu corpo. Era como se tivesse feito trabalho braçal por uma semana. O que não aconteceu, caso você considere lavar algumas cuecas no sábado um grande esforço físico.
Meus braços pesavam, eu tinha a sensação de que qualquer hora eles cairiam. O ar me fugia, os braços me pesavam, meu estômago embrulhava, e eu andava.
***
Tinha certeza que minha expressão naquele momento não era das mais agradáveis. Uma mistura de pânico, dor e angústia às duas horas da tarde.
O sol não era muito cruel, mas eu suava em bicas. O ar me fugia, o suor escorria, os braços já não me pesavam, meu estômago embrulhava, e eu andava.
***
Andava tão rápido que dava a nítida impressão de uma fuga. Apesar de meu corpo não cooperar eu tinha que ir logo para minha zona de conforto. Eu...era diferente. De repente pareceu que o oxigênio teve uma pequena compaixão por mim. No ímpeto de absorvê-lo me atrapalhei. Ele percebeu, e fugiu mais uma vez.
***
Agora eu chorava ao perceber o quanto de chão ainda me faltava para chegar em casa. Não sei se eu merecia passar por tudo aquilo mas...Um ódio tremendo tomou conta do meu ser. Eu me odiava, era um fato. Cada pedacinho idiota do meu corpo. E acima de tudo meu coração que teimava em me apertar contra uma parede invisível, tirando todo meu ar. O ar me fugia, meu coração ria, meu estômago não mais embrulhava, as lágrimas escorriam, e eu andava.
***
Alguns anos se passaram. O ar continua me fugindo, meu coração continuando debochando-me. Minhas lágrimas continuam aqui, mas em menor número. Eu continuo andando.
Comentários
tá lindo! eu adorei o final, fatozão. muito maravilhoso *-*
Cara, quando eu te conheci você escrevia bem, mas eu tenho visto que você tem se aprimroado cada dia mais e agora você tá escrevendo TÃO TÃO TÃO bem!
eu tenho orgulho de ti, renan!
Nathie.