I Found a Away
I guess I'm stuck in this mad world (8)
Foi bom enquanto durou. - Tenho certeza que teria sido isso que Tom teria dito se tivesse forças, enquanto arranjava um lugar na sala de aula. Era tão cansativo ter que entrar de novo naquela classe fria e com cheiro de giz! As férias foram-se tão rápidas como vieram. De fato ele talvez comentasse com alguém como o primeiro semestre passou relativamente rápido. Mas ele nem tinha alguém, então não fazia diferença.
Ele se sentou num lugar no meio da fileira do canto. Em outras escolas fazia mais sentido ele se esconder no fundo, mas no Colégio Lindenberg era lá que ficavam os irritantes e falantes populares. E como na frente era o lugar reservado para os nerds. Diga-se de passagem que Tom tinha algumas duvidazinhas em Matemática. Só dúvidas.
-Pessoal...Erm...PESSOAL! - um berro da diretora Skinkles abafara o típico barulho de um empolgante primeiro dia. Não, eu também não acho que Skinkles seja nome de gente, mas fazer o que? - Gente essa é a nova aluna: Manoela Jung.
De fato o que se sucedeu a partir daí chamou a atenção de Tom por sua excentricidade: uma garota de cabelos lisos e estatura média encontra-se na porta - a qual retia a atenção de todos, - ela trajava um jeans comum e a camiseta do uniforme. Mas o que espantara de verdade foram seus pés. Ela estava distraidamente virada de costas e de pé numa perna só. Na mão direita o par de seu tênis, preto sem cadarço e cheio de estrelinhas. Com a outra mão ela arrumava a meia, crente de que ninguém a observava.
-Caham - a diretora pigarreou fazendo a menina se tocar.
-Ah, oi, hehe. - a menina encabulou colocando o sapato de qualquer jeito.
Tom ficou observando para ver onde a garota iria se sentar. Ela foi para uma das primeiras carteiras, o que fez os populares do fundão já se desinteressarem por ela e voltarem a sua rotina de risadas. Ele porém não. Tom observou a garota por toda a aula, para ver o que tinha aquela garota que se discrepava tanto do resto da sala. Mas ela nada fez na aula toda além de escrever, ler, e ocasionalmente algumas perguntas para os professores.
O sinal para o intervalo bateu. Curioso, e instigado o garoto decidiu ver o que Manoela iria fazer, com quem sairia por aquela porta de madeira escura. Ela não saiu.
Enquanto todos os garotos saiam conversando e rindo, Manoela continuava sentada atrás de sua carteira com um ligeiro sorriso no rosto. Por fim, quando as últimas pessoas saiam a garota começou a remexer de sua mochila tirando de lá um embrulho cilíndrico. Cansado de esperar, então, Tom se levantou em direção ao pátio.
No meio do caminho algo chamou sua atenção. Bom, muito mais do que o chamou atenção:
-TOOOOOOOOOOOOOOOM – a garota vinha atrás dele do corredor. O garoto continuou caminhando, apesar de ouvir os passos às suas costas. Com toda certeza existiam outros Tom’s na escola. Estava acostumado, ninguém o conhecia. – Hey, garoto! Tô falando com você.
Ele virou instantaneamente e viu um vulto:
- Bu! – ele caiu no chão. A garota então se sentou ao seu lado. – Então é aqui que nós vamos passar o intervalo?
- E-eu...te conheço,...Manoela?- um pouco atordoado, tentando puxar o nome da garota pela memória.
- Tecnicamente não. Mas da mesma forma que você sabe meu nome eu sei o seu. – sorrindo como se isso explicasse algo.
- Você é bem inteligente...
- Se se incomodar eu saio – fazendo menção de levantar.
- Não, não, é só que...
- Só que nada! Olha – apontando para o tênis de ambos. Thomas calçava um All Star azul-marinho 37. – Somos do mesmo time! – Sorrindo abertamente e fazendo Tom rir também. – Você quer? – Abrindo o embrulho que a essa altura ele reconhecia ser um pacote de bolacha Trakinas.
Os dois ficaram ali conversando e rindo – o que era uma novidade à Tom – até a massa de alunos voltar aos corredores se encaminhando a suas respectivas salas.
Todos congelaram ao ver a cena: os dois sentados lá. Ali.
- Acho que está na hora de voltarmos pra sala – repetia Thomas.
- É, acho que sim... – Fazendo uma divertida expressão triste ao olhar para o pacote de bolachas vazio. Ele riu.
Levantou-se Tom, que ajudou Manoela a fazer o mesmo. Os dois caminharam pra sala, a medida que os alunos atrás faziam o mesmo, tranqüilos. Manoela jogou o pacote de Trakinas no lixo. Junto foram os fantasmas de Thomas McClean.
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